quarta-feira, 25 de maio de 2011

Por que sou pastor?



Talvez alguns antigos amigos pensem que eu fiquei realmente sem sentido na vida e por isso tornei-me pastor. Provavelmente porque perdi o contato com eles e não deixei nenhum rastro que explicasse esta decisão na minha vida. Bom, neste post quero tentar explicar, antes para mim mesmo, e quem sabe aos que estão a minha volta.

É verdade que recebi desde minha infância os ensinos religiosos através da Igreja Presbiteriana na cidade onde fui criado. Semanalmente frequentava aulas e estudava as histórias bíblicas. Em casa minha mãe dava-nos passagens bíblicas para decorar e ensinava-nos a orar. Foi um sistema de educação cristã muito bem aplicado. A partir deste ensino religioso formou-se em mim valores, que certamente, estão comigo por toda a vida. Deste ensino também desdobrou-se uma visão de mundo cristã, ou seja, ver o mundo a partir do ponto de vista cristão e presbiteriano.

Pode ser que, neste ponto, pareça que ai está a razão da minha decisão por ser pastor. Mas penso que é preciso acrescentar outros fatores. Eu realmente considero-me alguém "vocacionado" (termo bem religioso) para designar "convicto de que é única opção de vida em que meu ser acha-se satisfeito". Os fatores que encontro podem ser considerados simples, mas penso que confirmam a decisão. São eles:

A fé - É dificil explicá-la, mas eu consigo descansar na real existência de Deus e na forma como ele, existindo, age em nosso meio. Sei que para muitos isso é muito abstrato e pode parecer até alienação de um “mundo cão”. Mas é verdade, eu descanso tranquilamente com a existência de Deus.

Jesus Cristo - A psicanálise pode afirmar que precisamos projetar um modelo perfeito de existência para que encontremos um caminho para trilharmos, como uma referência de perfeição. Concordo com isso, e sinceramente, eu encontro em Jesus Cristo este padrão perfeito, tanto que eu desejo segui-lo, tornar-me discípulo dele, aprender com seu jeito e olhar para onde ele olha e com a mesma essência com que olha.

Um encontro místico – Na época eu era mais jovem que agora, e numa experiência que pode ser coisa da mente ou coisa do outro mundo, mas eu realmente identifiquei algo que trouxe sentido para minha vida: ministrar. Esta foi a palavra que produziu profundo sentido à minha vida. Eu tinha apenas 17 anos e não tinha noção do que fazer. Pensei muitas coisas, mas havia um caminho onde eu poderia exercer com mais propriedades o significado que esta palavra me trouxe: o pastoreio.

Não vejo nisso grande coisa, mas grandes coisas vejo – Não há muito glamour em ser chamado de pastor. A principio parece uma função dispensável para grande parte da sociedade. Mas tenho visto que, para algumas pessoas que recebe o serviço da nossa vida, é algo realmente indispensável. Nem todos vêem o “achar-se com sentido” algo importante, para estes, pastores são dispensáveis. Mas quando vemos grandes coisas acontecendo na vida de algumas pessoas, e nisto, a ação pastoral foi claramente reconhecida, lidamos bem com a indiferença de outros.

Gosto do trabalho do pastorei – É muito bom poder consolar. Também é ótimo ajudar pessoas com palavras que dão sentido. Gosto de procurar na Bíblia e em livros elementos que auxiliam a vida. Todas as pessoas precisam de incentivos, eu gosto de oferecê-los. Todas as pessoas precisam de carinho, eu gosto de oferecê-lo. Todas as pessoas precisam saber que são amadas incondicionalmente, eu gosto de dizer que Deus as amam profundamente. Todas as pessoas precisam de identidade, eu gosto de auxiliá-las a encontrar. Muitas pessoas querem entender a Deus, eu gosto de caminhar com elas neste sentido. Muitas pessoas querem ser discípulas de Jesus, eu gosto de ajudá-las. Todos precisam de ajuda nos seus relacionamentos, seja familiar ou amistoso, eu gosto de procurar verdades que ajudam. Gosto de celebrar casamentos, é algo singelo e muito significativo. Gosto de aconselhar pessoas, e cada vez que isso acontece, são muitas as verdades que descubro. Gosto de orar, ou seja, de falar tudo que sinto e que quero para aquele que é, e entendo pela fé, o criador de todas as coisas existentes. E ainda posso dizer que gosto de ser chamado de pastor, para mim, soa bem. Pesquisei recentemente o meu sobrenome, Custodio significa aquele que cuida. Que ótimo, acho que nisto está o que gosto de fazer.

Vocação é algo que traz sentido para a vida. Vocação tem a ver com um chamado, algo vocal que expressa o propósito da nossa existência. Penso que nasci para ser atuar como pastor. Se eu estiver em qualquer lugar e em qualquer tipo de situação, penso que minhas atitudes serão identificadas como a de um pastor, “cuidador” da vida.

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